Monografia de licenciatura · 2021
ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA POPULAÇÃO DE ELEFANTES-DE-FLORESTA (Loxodonta cyclotis) NA REGIÃO DO BENGO E CUANZA-NORTE VERSUS PRESSÃO ANTRÓPICA
Isilda de Jesus Lima Cavaleca Cavaleca · Universidade Agostinho Neto · Biologia
Resumo
Este estudo teve como objectivo avaliar as zonas de distribuição geográfica de elefantesde-floresta (Loxodonta Cyclotis) nas regiões do Bengo e Cuanza-Norte e, os seus movimentos, bem como analisar a pressão antrópica sobre a as suas populações. O presente trabalho poderá servir como base de conhecimento para futuros trabalhos de investigação, desenvolvimento e conservação do habitat dos elefantes-de-floresta. A pesquisa de campo foi realizada de Fevereiro a Dezembro de 2019 tendo sido usada uma combinação de quatro métodos, nomeadamente: observação directa que permitiu a observação da espécie alvo em tempo real e pela instalação de câmaras ocultas, para tal foram instaladas cinco estações de amostragem; o método da observação indirecta que permitiu identificar a presença da espécie alvo através dos vestígios de presença (excrementos, pegadas, ossadas e árvores destruídas); a análise genética, cujos testes foram feitos com base em dentes, excrementos, e ossadas das duas espécies de elefantes provenientes de pontos distintos do país, em que os testes foram realizados no laboratório do CIBIO em Portugal e o resultado preliminar comprovou que realmente os elefantes da área de estudo são elefantes-de-floresta; e por último entrevistas informais, as quais permitiram numa primeira fase obter uma panorâmica global sobre a ocorrência da espécie alvo (nível de conflito e possíveis locais de avistamento dos animais). Ao todo foram inqueridos 200 habitantes dos quais 173 afirmaram terem visto os elefantes-defloresta na área de estudo, quanto a área mais utilizada pelos elefantes-de-floresta na província do Bengo é considerado o município de Nambuangongo e na província do Cuanza-Norte o município de Cambambe. Quanto aos níveis de conflito verificou-se que numa escala de cinco anos atrás os incidentes tanto com humanos como da espécie alvo têm acontecido actualmente com mais frequência, de tal modo que num universo de 173 habitantes, 51% afirmaram consumir a carne de elefante-de-floresta. Por outro lado, a província do Cuanza-Norte apresentou-se com maior índice de lavras destruídas pelos elefantes-de-floresta com cerca de 83% de casos. Os dados recolhidos sobre a distribuição de elefantes-de-floresta e os níveis de conflito Homem-elefante na região do Bengo e Cuanza-Norte, é satisfatório tendo em conta que é o primeiro estudo realizado na área de estudo e pelo facto de que ainda pouco se sabe sobre a situação actual da espécie em Angola, na qual poderá servir de grande contributo para a revisão de mudança de estatutodo elefante africano na IUCN.
Palavras-chave: Distribuição; Conflito Homem-Elefante; Status de conservação; Pressão Antrópica; Conservação
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